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27.05.2012

Flamingo voa 5.000km, indo e voltando de Recife a São Paulo

RELATO DE VIAGEM RECIFE - SÃO PAULO - RECIFE

 

Data: Abril de 2012

Aeronave: Flamingo FL-006

Tripulação: Cmte. Pepe Garrido e navegador Dênis Correa.

 

Estas linhas deverão ser lidas com espírito aberto, devendo ser levado em conta o desafio, a aventura, a vontade em descobrir novos rumos, enfim, o sonho de voar e desbravar os novos espaços e dimensões.

 

Nossa missão era levar um Flamingo de Recife - PE, onde está localizada a fábrica da Aeropepe, até a cidade de Regente Feijó - SP, onde ocorreria o Aviashow 2012 e posteriormente no Aeroleme - SP. Nossa navegação previa mais de 2.000 Km para chegarmos até nosso destino.

 

Neste longo trajeto, aproveitaríamos para checar o comportamento da aeronave em situações diversas com pouso e decolagem em pistas de várias altitudes e sua operação em configuração de carga máxima com os novos tanques de maior alcance.

 

Durante os dias que precederam nossa partida, o trabalho de finalização na aeronave consumiu todo o tempo disponível e também nossos nervos. Com todos os problemas referentes a  montagem de um novo motor e sistema de combustível com capacidade para maior autonomia de voo. Fizemos os testes de voo já no dia anterior ao da partida confirmando o perfeito funcionamento do Flamingo FL-006, fabricado em 2006.

 

Antes de iniciar o relato da nossa experiência, é importante agradecer a ajuda prestimosa de algumas pessoas. Sem elas, não teria sido possível a realização desta viagem. 

 

Inicialmente agradecemos o pessoal da Aeropepe, que se desdobrou e investiu com toda energia nesta empreitada. Nossos clientes Jorge Costa, Alfredo Bandeira e Fabiano Freitas também dispuseram seus equipamentos com gentileza e sem restrições.

 

Durante a viagem tivemos também vários apoios que foram de grande valia, não poderíamos deixar de também incluí-los neste relato. Entre eles:  Alguns pilotos de Salvador que não recordo os nomes, o Alexandre de Divinópolis,  Picheline (?)  e  Menelau de Presidente Prudente, Elvis e Paraíba de Atibaia, Fabio Bolorino e Pedro Lobo de São Paulo capital, e Pedro Zanchetta de Leme. 

 

Também deixo registrado a excelente assistência dos profissionais das salas AIS de Ilhéus e de Montes Claros. Eles fizeram muito mais que nos informar todos os aspectos das respectivas etapas do voo, indo além de suas atribuições com informações  sobre hospedagem e deslocamentos nestas cidades.

 

A HORA DA PARTIDA

 

Nos preparamos para decolar do Aeroclube de Pernambuco  o mas cedo possível pois este primeiro trecho  SNEM (ACPE) – SBIL (Aeroporto de Ilhéus BA) e Ilhéus – Montes Claros (MG). Após a decolagem, conforme plano de voo, seguimos sobre o litoral a 1500 pés de altitude. O tempo estava firme com poucas nuvens e brisa suave até o través de Maceió. Após deixarmos esta cidade começou a formar uma área de instabilidade com nuvens esparsas de chuva , contornamos as maiores sem nos afastarmos de nossa proa pois ainda teríamos muitas milhas a serem voadas.

 

Até o través de Aracaju o clima continuou instável, com algumas frentes  de pancadas cada vez menos frequentes. Nas proximidades de Salvador houve uma melhora  no tempo o que nos deu falsas esperanças de tranquilidade, a partir dali não imaginávamos o que nos esperava.

 

Seguimos pelos corredores visuais de Salvador, contornando a 1.000 pés, pelo litoral, toda a área metropolitana. Atravessamos a  entrada da baia, do Farol da Barra ate a Ilha de Itaparica, mantendo a altitude do corredor visual até começar uma  interferência de camadas de nuvens que nos obrigava,  cada vez mais, a descer de nossa altitude. 

 

No través de Morro de São Paulo a camada começou a tocar o solo o que nos obrigou a retornar a Salvador. Teríamos de abastecer naquele aeródromo e esperar a condição atmosférica melhorar. Nosso objetivo do dia  estava ficando inviável pois a segunda perna de nosso voo, Ilhéus - SBMK (Montes Claros MG) não seria possível. Nosso pouso em Ilhéus seria apenas para abastecimento com decolagem imediata para Montes Claros onde pretendíamos pernoitar. Para encurtar esta parte acabamos pernoitando em Ilhéus, onde chegamos após um voo com bastante nuvens de chuva.

 

 

Nosso segundo dia de voo foi alterado em relação ao objetivo anterior. Decolamos  de Ilhéus optando por Divinópolis, que nos daria um maior percurso para aquele dia. Subimos inicialmente para o nível de voo de 065 com proa direta para o novo destino. Durante este percurso o teto começou a subir o que nos obrigou a alterar nosso plano de voo e subir para o nível de 095. Fomos autorizados com proa direta até as proximidades do nosso destino, mesmo tendo passado nas proximidades da área terminal de Belo Horizonte. Por fim decidimos pernoitar naquela cidade.

 

No terceiro dia decolamos de Divinópolis com proa para Regente Feijó, para participar da feira de aviação naquele aeródromo. Nosso nível  escolhido para esta etapa foi FL-065. Seguimos direto até que a condição atmosférica começou a subir e como estávamos fazendo voo com coordenação local, sem vetoração radar, decidimos baixar nosso nível para o FL-045. Seguindo por baixo da camada de nuvens, sofrendo com as convectivas e instabilidade de uma frente fria que estava chegando naquela região.

 

O evento em Regente Feijó foi atrapalhado pela frente que entrou na manha do Sábado com tempestade e raios, este foi dia o principal do evento. No próximo dia  com a melhora do clima, decolamos após o almoço para Presidente Prudente onde abastecemos nossa aeronave e preparamos a navegação para  Atibaia que seria nosso destino final na primeira parte desta viagem.

 

O voo foi bem tranquilo com CAVOK por quase todo o percurso. Utilizamos os corredores visuais da região. Nosso pouso em Atibaia foi sem surpresas onde hangaramos nossa aeronave.

 

De Atibaia, na semana seguinte, decolamos na direção de Leme onde aconteceria o outro evento de aviação. Fizemos um voo utilizando os corredores visuais de São Paulo até um fixo próximo a pista de leme. Nossa chegada foi no Sábado e o evento seria no Domingo. Para nossa decepção. neste dia ocorreu nova mudança do clima com chuva torrencial e portando impedindo qualquer movimentação naquele aeródromo. Ficamos participando de um churrasco com os pilotos presentes e proprietários de aeronaves baseadas por lá. Finalmente o evento foi cancelado por mau tempo.

 

Nosso regresso, de Leme (SP) para Recife (PE), teve início com uma manhã ensolarada. Decolamos de Leme e tivemos de fazer uma volta na direção de Araras e depois Mogi das Cruzes, fazendo um contorno bastante extenso com rumo oposto a nossa  direção que seria Montes Claros (MG). 

 

A razão desta manobra foi a nossa proximidade com  a base Aérea de Pirassununga e naquela manhã havia movimentação de treinamento de acrobacia com aeronaves Tucano. Com o atraso de nosso voo, decidimos pernoitar em Montes Claros onde pousamos após um ATR das linhas aéreas Azul. Fomos a sala AIS e fizemos dois planos de voo. A nossa intenção seria  Montes Claros - Vitória da Conquista (BA) na primeira perna, na segunda perna seria V. da Conquista - Maceió (AL) e na terceira Maceió - Recife. 

 

Na manhã seguinte fizemos correções nos dois planos de voo sendo o primeiro  Montes Claros para Salvador e o segundo de Salvador para Encanta Moça em Recife. Decolamos bem cedo as 6 :15 da manhã, hora local, e subimos ao nível de cruzeiro FL-095, pois toda a região mineira é bastante acidentada com muitas cadeias de montanhas. 

 

Chegamos em Salvador com bastante atraso por causa de um vento contrário que nos deixou com a velocidade em relação ao solo bastante prejudicada. Abastecemos o avião e no momento de pedir ao controle solo liberação para decolagem recebemos a notícia que nosso plano de voo havia sido cancelado por atraso de 11 minutos. Tivemos de fazer um novo plano de voo o que nos deu um atraso de mais 45 minuto.

 

Decolamos as 13:15 hora local com voo direto pelo litoral a 3.500 pés. Fizemos este percurso o mais rápido possível e conseguimos chegar no Encanta Moça as 16:50h.

 

Nossas médias de consumo variaram de 18 l/h a 25 l/h em nosso ultimo trecho, quando tivemos um problema de fuga de combustível por falha de checagem após o abastecimento em Salvador. Uma das tampas dos tanques ficou mal fechada deixando escapar combustível pelo extradorso da asa esquerda. Neste percurso a média de consumo ficou em mais de 40 l/h.

 

A viagem em toda sua extensão foi bastante cansativa por causa das longas etapas de voo, cerca de 5 horas em cada perna. Mas no geral tudo correu bem, sem sustos, pois sempre optamos pela segurança e voar dentro das regras de voo.

 

Ao final, cruzamos 6 estados brasileiros, voando aproximadamente 5.000 km. Mais uma vez o Flamingo provou suas qualidades de voo e excepcional performance.

 

Rua Tome Gibson, s/n – Aeroclube de Pernambuco - Pina - Recife – PE - 51011-480

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