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16.06.2012

Flamingo voa 2.100 km e cruza o nordeste

RELATO DE VIAGEM RECIFE - CAMPO MAIOR - RECIFE

 

Data: Junho de 2012

Aeronave: Flamingo PU-VBM

Tripulação: Cmtes. Alfredo Bandeira e Jorge Costa

 

 

Em virtude de comemorações locais em Campo Maior, PI e ainda de nosso colega Jorge Costa ser natural de lá, além do fato de ainda ter negócios e uma legião de amigos naquela pequena cidade do interior do Piauí, decidimos então, há uma semana do ENU, ir àquela cidade participar do encontro ao invés de ir ao Encontro Nacional, como havia planejado antes.

 

Após todo o planejamento inicial com os dados da navegação, abastecimento, tempos estimados, proas magnéticas, etc...  e ainda plotando em mapas os possíveis apoios em rota, decolamos Jorge Costa e eu às 06:30hs do dia 01/06/12 de SNEM (Encanta Moça) em Recife, PE com destino ao Catuleve (SJCM) em Fortaleza, CE, com estimado de 04:00hs, DCT em nosso valente Flamingo, PU-VBM com motor 912-S, hélice warp drive tripa e Efis MGL Odyssey de 10” com piloto automático de dois eixos. O plano era abastecer em Fortaleza e seguir para Campo Maior, com mais outras 03:00hs de vôo previstas em rota.

 

Nessa primeira perna o relato principal é que, surpreendentemente, para nossa região, onde os ventos são predominantemente “sudeste”, que ajudam na ida mas, nos seguram na volta, pegamos um leve vento de través “nordeste” o que nos fez andar um pouco menos, fazendo algo como 95 mph de GS e uma indicada de 115 mph, o que sugere vento de 20 mph quase que de proa nos segurando. Escolhemos o FL105 para tornar o vôo mais confortável, após consulta à carta de ventos, mais estável e livre das formações, que estavam logo abaixo no FL100, mas com vários “buracos” para uma eventual descida, caso fosse necessário. Assim, após 04:05hs pousamos no Catuleve, depois do tráfego de um RV-9A local.

 

O belo Catuleve, em Fortaleza (CE).

 

Abastecemos com 60 litros (aprox.15L/h) e antes de tudo, até mesmo do “pipi stop”, já nos apressamos em fazer o plano para Campo Maior, por conta da espera legal de 45 minutos. Assim tivemos tempo para esticar as pernas e um rápido lanche. Antes da decolagem, “pipi” em dia novamente e partimos às 11:00hs com destino a Campo Maior, de novo no FL105.

 

Descanso no catuleve

O descanso do guerreiro em Catuleve

 

Fizemos uma subida lenta, livrando os diversos morros da CTR FOR e várias formações que nos obrigava a desviar sempre, buscando o visual entre elas, nos “corredores”, literalmente “surfando nas nuvens” até chegar ao nível pretendido. Depois de 40 minutos estávamos nivelando no FL105 e daí em diante foi só esperar o tempo passar, conferindo nossos apoios (pistas) no solo que, mesmo não constando no Rotaer, existem e serviriam de ótimo apoio para qualquer eventualidade. O que não ocorreu, graças a Deus!!!  Isso é feito seguro de vida, nós pagamos, nos prevenimos, mas, ninguém quer usar.

Tínhamos decolado às 11:30hs do Catuleve - SJCM e pousamos bem dentro do horário previsto, pelas 14:30hs em Campo Maior - SDYX onde já nos esperavam alguns amigos organizadores do evento, o Cmte. Abimael e seu filho Cmte. Airton, grandes incentivadores do esporte daquela cidade.

 

Campo Maior (PI)

Campo Maior (PI)

 

Depois fomos comer uma carne de sol acompanhada do arroz conhecido como “Maria Isabel”, uma iguaria abençoada pelos Deuses Piauienses, num restaurante belíssimo à beira de uma das lagoas que banham Campo Maior. Uma delícia!!!  Após o almoço, já com cara de jantar por conta da hora, fomos descansar na casa de Jorge na serra, num local muito agradável e longe do calor da cidade. Na piscina, é claro!!!

 

No dia seguinte fomos recepcionar os colegas vindos de Teresina (apenas 10/20 minutos de vôo, dependendo do equipamento) e depois daquele bate papo gostoso, fomos convidados para conhecer o CUPI - Clube de Ultraleves do Piauí. Decolamos de Campo Maior e depois de 20 minutos cravados, estávamos pousando no CUPI, um local maravilhoso, muito bem mantido, pista asfaltada, lanchonete, abastecimento e o melhor, muita gente simpática a nos receber. Não quero aqui falar nome de ninguém para não cometer o erro de esquecer de alguns. O importante é que todos foram muito simpáticos e sabem receber os colegas. Estão de parabéns todos vocês que fazem aquele belo clube!!!

 

CUPI

CUPI: Muito bonito e bem cuidado

 

No fim da tarde, voltamos a Campo Maior, com outros 20 minutos de puro prazer em voar, com um ventinho macio de fim de tarde, fizemos um pouso daqueles bem “manteiga”, sem vento.... Uma maravilha!!!

 

Já eram quase 17:00hs quando recebemos a notícia de que outros colegas estariam também chegando e para nossa agradável surpresa, começaram a surgir no horizonte vários ultraleves e foram pousando, bem macios, com aquele fim de tarde que parecia nos agraciar com seu anoitecer. A festa continuaria no sábado à noite e no domingo. Nós é que precisávamos nos recolher porque já retornaríamos no dia seguinte. Deixamos o Flamingo já abastecido com 100 litros e fizemos o ajuste no Efis, atualizando o nível de combustível do tanque “virtual”, para não ter que fazer isso no outro dia.

 

Amigos chegando em Campo Maior

 

Populares observando o ultraleve Flamingo

Populares observando o ultraleve Flamingo

 

Nas primeiras horas do domingo 03/06/12, levantamos às 05:00hs da manhã, tomamos um café reforçado e fomos para o campo. Fizemos o check externo, bagagens colocadas, motor ligado, deixamos esquentar um pouco, fizemos o famoso CIG(b)EMAC (o “b” é para lembrar de ligar a bomba elétrica) e às 06:30hs decolamos de Campo Maior. Havia ainda uma bruma leve nas pastagens e na paisagem de uma maneira geral, temperatura muito gostosa, nada a ver com as elevadas temperaturas do Piauí. A brincadeira por aqui é que Urubú voa só com uma asa, porque a outra é prá se abanar... kkkkkkkkkkk

 

Chamamos o Controle Teresina e fizemos nosso Plano Afil para SJCM. Pedimos o FL085, para evitar as formações, que ficaram para baixo, embora o pedido estivesse errado por conta da proa magnética (100º), deveria ser nível ímpar mais 500ft. Fomos autorizados assim mesmo porque não havia qualquer outro tráfego e não queríamos subir mais ainda!!!  O ultraleve não andava, a GS indicava ora 65 mph ora um pouco mais, ora menos ainda. Isto se manteve durante toda a subida, tanqueado e com vento de proa nos segurando. A rota programada no Efis deveria ficar verde, indicando que o combustível daria para cumprir aquela perna e com sobra, mas, ficava o tempo todo vermelha, indicando que, naquelas condições, não chegaria ao destino. Quando nivelamos, ficamos aí por volta de 75 mph e logo o Efis começou a indicar rota verde, o que nos tranqüilizou mais. Depois, foi indicando até mesmo sobra de combustível e autonomia, além da necessária, o que é normal, mas, isso deixa você meio preocupado por alguns momentos. À medida que o motor consumia o combustível, a GS foi melhorando gradativamente, chegando no final à “incrível” marca de 85 mph, com média geral nesta perna de 75 mph ou 120 kmh. E a bunda ia ficando quadrada.... kkkkkkk

 

À medida que o dia foi esquentando, as formações foram subindo, o que nos obrigava a contornar vários “cúmulos torre” em rota para Fortaleza, sempre no FL085, formando aquele verdadeiro “tapete” de nuvens abaixo e ao redor da nossa “nave espacial” (parecia a Discovery nas nuvens... kkkk). Entrando na TMA FOR, observamos várias formações com chuva abaixo, indicando que iríamos nos molhar ao descer. Eram formações de cúmulos e que estavam espalhadas, deixando espaços entre elas que nos permitiram um vôo visual lindo entre os diversos “corredores” que existiam, sempre em contato visual com o solo. No ideal, fizemos contato e pedimos a descida para pouso no Catuleve. Depois que passamos da base das nuvens é que pudemos ver as chuvas esparsas que ocorriam abaixo, inclusive nos apanhando levemente pouco antes do pouso. Tocamos o solo às 09:50hs, um pouco mais tarde do que o previsto em virtude do vento de proa, novamente. Aliás, isso foi quase uma constante durante essa viagem, sempre com vento de proa em quase todas as pernas. Parecia que estava sempre querendo nos atrasar. Só veio melhorar na próxima perna, depois do través de Natal. Mas isso é assunto para a próxima perna...

 

Novamente fizemos primeiro o plano para Recife (SNEM) enquanto abastecíamos o Flamingo. Assim aproveitamos o tempo no solo para um lanche, esticar as pernas e depois o “pipi stop” para enfrentar a nova perna estimada em outras 04:30hs por conta do vento, para cumprir os 600 km DCT entre Fortaleza e Recife. Então, ligeiramente antes das 11:00hs estávamos decolando sob uma chuva leve que escorria pelo pára-brisa e literalmente lavava o avião, mas, sem perda da visibilidade. Muitas formações e chuvas isoladas marcavam aquela manhã de domingo em Fortaleza. Fomos então subindo numa trajetória de desvios de nuvens, escolhendo sempre os “buracos” e subindo. Chamamos o Controle Fortaleza logo após a decolagem e como eles têm um acordo operacional com aquela Terminal, pode-se decolar e chamar fora do solo, onde a comunicação é sempre melhor. Assim fizemos, recebemos o código do xpdr e continuamos nossa ascensão para o FL095 onde, segundo a carta de ventos, estaria melhor. Ledo engano..... Novamente vento de proa, com velocidade baixa, enfim, aquela mesma história anterior, o mesmo filme.... Muitas formações na subida até que enfim nivelamos e as coisas começam levemente a mudar de figura. A velocidade aumenta um pouco, os valores no Efis mudam para melhor, as estimativas todas, enfim, um vôo calmo no topo da camada, com boa visibilidade abaixo. Um mar de tranqüilidade.... Podíamos até colocar um copo com água no painel que não mexia. Paradinho, paradinho e voando, claro.... kkkkkk  Mas, as velocidades ainda baixas em virtude de ventos de proa, nos segurando.

 

Depois do través de Natal é que as coisas começaram a mudar. Pela primeira vez, tanto na ida quanto na volta, vi a GS acima de 100mph, junto com a indicada (IAS), o que sugere vento de través, não segurando e não nos empurrando. Agora a velocidade subia não só pela ação dos ventos, mas, pelo peso da aeronave que diminuía com o consumo de combustível e ia ficando mais veloz, chegando próximo do pouso a incríveis 115mph. No ideal solicitamos descida e fomos orientados para o FL025, com leve chuva por baixo da camada, mas, totalmente visual. Enfim, após longas 04:20hs e com a bunda quadrada, tocamos o solo do nosso Encanta Moça, depois de uma viagem sem transtornos de 1.000km em cada trecho (REC/CAMPO MAIOR), sendo uma de 600km (REC/FOR) e outra de mais 400km (FOR/CAMPO), aproximadamente, em cada sentido.

 

Seguem nossos agradecimentos a todo o pessoal de Campo Maior e Teresina, que nos receberam sempre de braços abertos e nosso robusto Flamingo, sempre impecável.

Até a próxima!!!!

Jorge Costa

Alfredo Bandeira

 

Dados numéricos:

Consumo total de combustível: 261 litros

Extensão voada: 2.100 km (1.312,5 milhas)

Média de consumo: 17,5L/h  

Horas voadas: 15:30 hs

Média de velocidade:  89 mph na ida e de 80 mph na volta.

Regime de RPM médio: 4900 a 5000

Rua Tome Gibson, s/n – Aeroclube de Pernambuco - Pina - Recife – PE - 51011-480

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